sexta-feira, dezembro 01, 2006

Pés firmes na terra


Quando, há mais de 500 anos, Portugal unificou seu território, realeza e burguesia sabiam que a naçao poderia ser a pioneira na conquista de novos mercados e no descobrimento de outras terras. Logo, o Estado português, apoiado pela iniciativa privada, empreendeu as famosas expediçoes marítimas que mudariam a face do mundo moderno. Seus navegadores chegaram aos quatro cantos do planeta, abriram novas rotas comerciais e acumularam riquezas que pareciam inesgotáveis. Eram tempos de fama, de bonança, de poder, e o oceano foi quem trouxe tudo isso.

Hoje, Portugal desperta de um profundo estado de letargia em que esteve inserido nestas últimas décadas. Lisboa, particularmente, retrata o novo momento de um país que, há anos, vivia isolado, esquecido, triste. A cidade preserva, com gosto e muito cuidado, seus fortes, prédios e bairros. Quem se aventurar a caminhar pela Rua Augusta desde a Praça do Rossio até a Praça do Comércio, notará um grande número de turistas, restaurantes cheios, comércio em alta, imigrantes... Ou seja, tudo o que as cidades mais prósperas da Europa possuem. Através do moderno e eficiente sistema de metrô, é possível chegar facilmente à Estaçao do Oriente. Um rico centro comercial, prédios arrojados, largas avenidas e um parque que abrigou a Expo 98 - e que hoje está preservado e a serviço da comunidade - aguardam pelo visitante. E onde está a resposta para essas mudanças?

Dessa vez, ela nao provém do mar, e sim do continente. Desde que, em 1986, Portugal virou as costas para o Atlântico e ingressou na Uniao Européia, a face do país mudou para melhor. O comércio exterior cresceu, gerando mais receita; os investimentos aumentaram, possibilitando a modernizaçao das vias de transporte; a economia se fortaleceu e ganhou competitividade; a vida, enfim, tornou-se mais próspera e segura. Nas décadas de 50 e 60, a ditadura de Salazar, com sua política empobrecedora, expulsou milhoes de portugueses para outros países europeus, mais ricos e livres. Hoje, milhares de imigrantes desembarcam em Portugal na tentativa de buscarem uma vida melhor longe de suas pátrias (muitas delas, berço de regimes autoritários, intolerantes e nacionalistas). Eles pensam, com razao, que a terra portuguesa pode lhes trazer emprego, segurança, dignidade.

Se alguém estiver de passagem pela Europa, nao deixe de visitar Portugal. Nao deixe de apreciar um espetáculo de fado, de andar de bondinho pelas vielas do centro histórico, de apreciar o pôr-do-sol no Castelo de Sao Jorge ou de provar os pasteizinhos de nata no Bairro de Belém. Mas, acima de tudo, você terá a oportunidade de observar uma naçao que soube lamber suas feridas e que, nos dias atuais, esbanja modernidade e democracia. As águas seguem aí, só que nunca foram tao pouco requisitadas como hoje.


Guilherme

4 Comments:

At 10:59 PM, Blogger lu castilhos said...

Buenas, eu sou uma "fuçadora" de blogs. E volta e meia encontro colegas Famequianos perdidos por aí :) Oh que bacana, mais dois!

Legais os textos, dá uma vontade incrível de viajar para a "Zuropa".

Quem sabe, um dia, por que não...

 
At 5:24 PM, Blogger Rodrigo Weber said...

Vale muito a pena. Vcs jah eh formada tb? Nós nos formamos em 2003/2.

Continua nos visitando aqui, tentaremos manter o mais atualizado possível.

 
At 3:54 PM, Blogger lu castilhos said...

Ah! Claro, claro!! Continuarei passando por aqui.

Já sou formada sim (2005/1). Agora eu trabalho no Correio do Povo. Mas estou pensando seriamente em fazer as malas.

 
At 2:07 AM, Blogger Eduardo M. Garbi said...

E ai Weberlinho...fiquei sabendo q tu e o Paulinho Passos tão aprontando todas ai neh! Boa sorte na tua caminhada, o moinhos torce por ti! Abraço meu guri...

 

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