A hora do par
Parece que sempre minha vida foi cercada pelo ímpar. Quase sempre, porque eu nasci dia 20. Mas de lá pra cá, tudo ímpar. O mês é julho e o ano é 81! 2x1! Placar clássico. Rodrigo tem 7 letras, assim como futebol. Jornalismo tem 10! Mas eu gosto é de rádio, 5. Aliás, 5 é o meu número, sempre foi. Peguei do meu pai eu acho. Mas enfim, isso nao é sobre números, nem letras, nem nada que faça com que eu comece a parecer o Zagallo.
De lá pra cá faz 25 anos. E passa muito rápido. Lembro como se fosse hoje, voltando da estância com minha família na camionete e calculando: "no ano 2000 eu vou ter 18 anos...!". E era longínquo o que agora é passado quase distante. Nao sei se tem a ver com a idade ou outros fatores mas tenho começado a procurar cada vez mais os motivos desse ímpar que me incomoda.
Nem vou entrar em questoes psicológicas, auto-estima e essas coisas. O assunto é mais amplo. Eu tenho uma convicçao muito grande de que tudo vai dar certo, mas ao mesmo tempo eu nunca tive paciência pra esperar. Por isso estou em Sevilla, procurando.
É cada vez mais cristalino que do jeito que está o mundo, é mais realista acreditar que em grande escala nao vai dar certo. Entao cabe a gente fazer dar certo na pequena escala. Sem entrar em outra grande discussao, mas voltando à primeira: o certo me parece par.
Schopenhauer disse que a alma procura infinitamente sua contra-parte oposta. Eu nunca acreditei nesse tipo de papo "cara-metade". Mas a essência disso hoje me parece muito verdadeiro, em cada livre interpretaçao individual. Algo move o ser humano e estou convencido. O par é necessário.
400 pessoas juntas na festa e amigos em volta.
Família toda na mesa do jantar.
Um estádio cheio.
Mas ainda nao deu certo.
O ímpar ainda incomoda.
O ímpar chato é único.
É sozinho.
É um.

